quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Educação Corporal




Sabemos que desde cedo o corpo se transforma, alcançando etapas de autonomia: rolar, sentar, sustentar a cabeça, engatinhar e andar. Depois correr, jogar, desenvolver habilidades motoras participando esportes. Como podemos facilitar e estimular cada uma destas etapas? Quantas destas aquisições contribuem para a formação do indivíduo e de sua personalidade?

Uma boa educação corporal deve levar em conta os aspectos qualitativos da experiência motora. O desenvolvimento motor se dá na relação do nosso corpo com o espaço. Para que ocorra de maneira saudável, precisamos em primeiro lugar de um ambiente que favoreça a exploração e o movimento.

Para o recém nascido, o espaço favorável ao desenvolvimento motor é o colo da mãe. É neste lugar que ele vai se experimentar. Seus primeiros movimentos serão involuntários, porém muito ricos em termos de informações sobre o ambiente e sobre si mesmo.

Seu corpo estará enrolado e próximo ao corpo de sua mãe. Todos os seus sentidos trabalharão para que ele possa formar uma imagem do que está acontecendo.

Os sons vindos do corpo da mãe, seu batimento cardíaco, sua voz, os cheiros, a temperatura, as vibrações, as pressões sentidas pelo toque que recebe e pela forma como é pego, serão associados aos seus movimentos e à sua percepção visual.

Inicialmente, a amplitude do espaço que ele pode perceber está muito próxima do seu corpo, do rosto e do colo da mãe.
Poderíamos imaginar um espaço circular no qual a criança e a mãe estão inseridas. Dentro deste círculo a criança mexe seus braços e pernas em todas as direções. Portanto a imagem que ela forma não é a do círculo em um único plano e sim a da esfera.

A criança sente que ela e a mãe compartilham um espaço esférico.
É também o espaço da ‘RELAÇÃO’ sem a qual nenhum tipo de desenvolvimento saudável pode ocorrer.

É importante dizer que as situações fora do colo devem seguir estes princípios esféricos. O berço, por exemplo, deve trazer a lembrança da sensação do colo. Não pode ser grande. A criança precisa sentir seu contorno e isto pode ser facilmente resolvido com almofadas ou travesseiros (de preferência planos e fixos) que podem ser retirados à medida que a criança cresce.

O principio a ser seguido é o do contorno e do reagrupamento. É importantíssimo agrupar mãos e pés em torno do centro representado pelo umbigo. Uma criança esparramada, com braços e pernas completamente soltos e largados terá maior dificuldade em perceber a unidade de seu corpo.

Alguns trabalhos têm sido feitos com bebês em incubadoras, onde seus corpos são reagrupados pelo toque humano e a resposta de sobrevivência é surpreendente.

Temos, portanto, os elementos de base do desenvolvimento motor: espaço esférico, reagrupamento, a relação, o toque e o movimento.

Ao longo da infância e da adolescência haverá uma transformação destes elementos, mas eles permanecerão constitucionais.

O espaço esférico, por exemplo. Inicialmente formando uma pequena esfera relacional, vai se ampliando. A criança percebe um espaço maior: seu berço, seu quarto. Além disto, percebe objetos: a bola, os brinquedos, o próprio berço, a textura das coisas e uma infinidade de informações sobre o mundo, diferentes daquelas que ela obtém na relação com sua mãe.

Seu corpo torna-se cada vez mais capaz de explorar o ambiente. Percebe os planos, os volumes, a profundidade, os pontos, as curvas e as retas. Percebe também o tempo: o tempo de ir e o de voltar. Toda uma nova relação conceitual com o mundo se estabelece e a criança começa a se interessar por tudo aquilo que está fora do pequeno círculo concêntrico em torno do seu umbigo. Lança-se na direção do objeto e do espaço esticando seus membros, tentando alcançar novos limites. Seu corpo se desenrola em um movimento de expansão.

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